terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Laranja Mecânica

O casamento catártico da ultraviolência presente em todo o filme e do divino Ludwing van Beethoven é para mim um dos melhores de toda a história.
O filme em si é um constante delírio, começando pelo não inocente copinho de leite que Alex de Large e os seus 3 amigos bebem num bar surrealista para iniciarem a sua noite de orgasmicos roubos, flagelações e violações que assustam os viventes da zona.
Toda a contemporânea Inglaterra é graficamente pouco tradicional, apimentada de uma arte fálica também ela  pouco convencional que enquadra com a loucura dos personagens principais. O Alex, um intratável sociopata é preso mas mostra ser um dedicado e delicado sujeito religioso arrependido dos seus terríveis actos. Conseguindo expressar ao Ministro do Interior a sua enorme vontade de voltar a saborear os louvores da liberdade torna-se merecedor da técnica Ludovico. Baseada no conceito do condicionamento clássico (obrigada bobivlov), alguma substancia que cria um grande mal-estar entra no sistema do drugue enquanto é obrigado a ver vídeos sobre o que é errado fazer. Numa cena de barbaridades nazis, soa a 9ª Sinfonia de Beethoven.
Agora, as dores insuportáveis que a droga lhe causava estavam guardadas algures no organismo de Alex, saiam da gaveta e atormentavam-no cruelmente sempre que as belas notas do seu grande amor soassem perto dele, sempre que lhe invadisse o desejo de violentar ou assediar.
Não interessa muito gravar aqui como o filme acaba. Para mim o importante é percebermos que não estamos curados nem disciplinados quando para isso a solução é eliminarem-se todas as possibilidades de errarmos. Já dizia alguém, a única diferença de um ser humano para um ser vivo não inteligente é que nós temos a responsabilidade de poder escolher.
Outras importâncias ficam para a segunda ronda de copos de leite.

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